Biografia completa

 

António Espinha Monteiro

 

 

António Espinha Monteiro é um biólogo português com uma carreira de várias décadas dedicada à conservação da natureza. Possui ampla experiência em ecologia e gestão de áreas protegidas, especialmente na região do Parque Natural do Douro Internacional. Em 2025, anunciou a candidatura à liderança da Associação Transumância e Natureza (ATN) – organização gestora da Reserva da Faia Brava – iniciando uma campanha para dirigir esta importante reserva natural. António Monteiro destaca-se pelo seu percurso diversificado que combina investigação científica, gestão de projetos de conservação, trabalho de campo e envolvimento comunitário.

Formação Académica

  • Doutoramento (em curso) – Atualmente é doutorando em Ecologia/Conservação da Natureza pela Universidade de Salamanca, em colaboração com o CIBIO-InBIO da Universidade do Porto. A sua pesquisa de doutoramento foca-se nos efeitos ecológicos da renaturalização (rewilding) nas comunidades de aves do norte de Portugal, analisando como o abandono rural e a recuperação de habitat favorecem o regresso de fauna selvagem.
  • Mestrado em Biologia Aplicada – Universidade de Aveiro (2012). No mestrado, desenvolveu um estudo sobre “Variações locais no clima e taxas reprodutivas de cinco aves rupícolas”, aprofundando a compreensão sobre como fatores ambientais influenciam a reprodução de espécies de aves que nidificam em escarpas.
  • Licenciatura em Engenharia Florestal – Instituto Politécnico de Bragança (concluída em 2016). Esta formação adicional em ciências florestais complementou a sua perspetiva ecológica, conferindo-lhe competências em gestão de habitats e silvicultura.
  • Licenciatura em Biologia – Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (concluída em 1995). Durante a licenciatura realizou uma tese sobre a ecologia do abutre-do-Egito no Alto Douro, refletindo desde cedo o seu interesse por aves rupícolas.

Experiência Profissional

  • ICNF – Parque Natural do Douro Internacional (1995–2022): Monteiro trabalhou durante 27 anos no Instituto da Conservação da Natureza (atual ICNF) como técnico de conservação da natureza e gestor de áreas protegidas. A sua atuação concentrou-se no Parque Natural do Douro Internacional, onde coordenou programas de monitorização e conservação de aves de rapina que nidificam em escarpas, avaliou impactos ambientais e geriu planos de proteção desta área transfronteiriça. Entre 1996 e 1998, foi coordenador técnico do processo de criação do Parque do Douro Internacional, e serviu como vogal da Comissão Diretiva do Parque de 1999 a 2002, em representação do Instituto da Conservação da Natureza. Neste contexto, liderou projetos como a recuperação de pombais tradicionais (importantes para a nidificação de espécies como o pombo-das-rochas), o estabelecimento de protocolos com empresas elétricas para minimizar a eletrocussão de aves, e a elaboração de estratégias nacionais para a conservação de aves necrófagas (abutres). Pelo seu trabalho inovador, foi distinguido com o Prémio Henry Ford de Conservação da Natureza em 1999, um galardão nacional que reconheceu o mérito dos seus projetos de conservação. Em 2023, após terminar a sua carreira no ICNF, Monteiro dedicou-se em exclusivo à investigação académica como investigador doutorando, continuando a aplicar a sua experiência prática na produção de conhecimento científico sobre conservação da natureza.

 

Projetos e Iniciativas

  • Palombar (Conservação de Pombais Tradicionais): Em 1998, foi co-fundador e primeiro presidente da Palombar – Associação de Proprietários de Pombais Tradicionais do Nordeste. Esta iniciativa visou salvar os pombais históricos do nordeste transmontano (estruturas tradicionais usadas para pombos), integrando-os em estratégias de conservação da biodiversidade e dinamização rural. Sob a sua liderança, a Palombar tornou-se uma referência na recuperação destes patrimónios, contribuindo para a conservação de espécies associadas e para a sensibilização das comunidades locais.
  • AEPGA (Preservação do Burro de Miranda): Em 1999, Monteiro ajudou a fundar a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), dedicada à salvaguarda do burro de Miranda, uma raça autóctone portuguesa em risco. Foi vice-presidente da AEPGA entre 1999 e 2005, período em que a associação implementou programas de reprodução, promoção e valorização do burro mirandês. Monteiro teve um papel ativo na oficialização da raça asinina de Miranda, tendo em 1999 proposto o seu reconhecimento oficial junto das entidades competentes – um passo crucial para a conservação desta raça e do património cultural associado.
  • ATN e Reserva da Faia Brava: Em 2000, fundou, juntamente com outros conservacionistas, a ATN – Associação Transumância e Natureza, onde serviu como presidente até 2012. A ATN estabeleceu a Reserva da Faia Brava no vale do Côa, que se tornou a primeira Área Protegida Privada oficialmente reconhecida em Portugal. António Monteiro esteve profundamente envolvido na criação e gestão da Faia Brava entre 2000 e 2019, assegurando a proteção de 850 hectares de ecossistemas de bosque mediterrânico e escarpas rupícolas. Sob a sua orientação, a Faia Brava ganhou projeção internacional, sendo distinguida em 2014 como uma das áreas piloto do programa Rewilding Europe, integrando as primeiras cinco regiões europeias selecionadas para projetos de renaturalização da natureza. Esta iniciativa trouxe investimentos e conhecimento internacionais para o vale do Côa, potenciando o regresso de espécies selvagens e novas oportunidades de ecoturismo.
  • Projeto LIFE Rupis: Entre 2015 e 2021, Monteiro foi coordenador científico e técnico no LIFE Rupis, um projeto internacional cofinanciado pela União Europeia dedicado à conservação do britango (abutre-do-Egito) e da águia-perdigueira (águia de Bonelli) no vale do rio Douro. Neste projeto, implementado em parceria luso-espanhola, foram aplicadas medidas de proteção destas aves ameaçadas, incluindo reforço alimentar, mitigação de ameaças (como colisões e envenenamentos) e educação ambiental junto das comunidades ribeirinhas do Douro. Os resultados contribuíram para o aumento da segurança e sucesso reprodutor das populações destas espécies emblemáticas na região.
  • Outras Afiliações: António Monteiro mantém ligações ativas a redes de conservação nacionais e internacionais. Desde 2021, é membro do Vulture Specialist Group da IUCN (Comissão de Sobrevivência de Espécies), colaborando com peritos mundiais na proteção de abutres. Também promoveu parcerias com fundações e ONG internacionais (como a Fundação MAVA e Rewilding Europe) através da ATN, evidenciando a sua capacidade de estabelecer pontes para além-fronteiras em prol da biodiversidade.

 

Publicações Científicas

António Espinha Monteiro é autor e coautor de diversas publicações científicas nas áreas da ecologia, zoologia e conservação. Os seus trabalhos refletem o enfoque em aves de rapina e gestão de vida selvagem:

  • Em 2008, publicou um estudo pioneiro sobre a “Dinâmica populacional e distribuição do grifo (Gyps fulvus) em Portugal”, na revista Bird Conservation International, analisando os números e a dispersão do abutre-fouveiro a nível nacional. Este artigo trouxe novos dados sobre a recuperação desta espécie necrófaga em ecossistemas ibéricos.
  • Em 2019, foi coautor de um artigo na revista Frontiers in Ecology and Evolution sobre a “Variabilidade espacial e temporal na migração de uma ave de rapina planadora através de três continentes”, investigando padrões migratórios de águias e alargando o conhecimento sobre conectividade entre populações de rapinas a escala global. No mesmo ano, colaborou num estudo publicado em Frontiers in Veterinary Science acerca de infeções por Trichomonas numa comunidade de pombos domésticos e selvagens e o seu impacto na águia-perdigueira (Aquila fasciata) – trabalho relevante para a saúde da fauna silvestre e esforços de reabilitação de aves de rapina.
  • Contribuiu ainda para outras descobertas zoológicas em Portugal, como o registo do primeiro avistamento do rato-campestre (Microtus arvalis) no país, e participou na elaboração de censos e monografias de referência sobre aves rupícolas. Por exemplo, Monteiro co-redigiu os censos nacionais e ibéricos do grifo e do britango em 2000, em colaboração com colegas portugueses e espanhóis, publicados sob a égide da Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/BirdLife). Estas publicações técnicas têm sido fundamentais para orientar estratégias de conservação destas espécies ameaçadas.

Divulgação Científica e Educação Ambiental

Para além da investigação e gestão, Monteiro tem desempenhado um papel ativo na divulgação científica e educação ambiental, comunicando a importância da natureza ao público. Participa frequentemente em palestras, eventos comunitários e meios de comunicação para partilhar a sua experiência. Em 2025, foi convidado do podcast ambiental “De Verde em Quando” (da Quercus/Criar Bosques) para discutir o fenómeno da renaturalização e o regresso da vida selvagem ao interior de Portugal. Neste episódio, Monteiro explorou temas como a recuperação de espécies emblemáticas (lobos, abutres, corços) e a valorização das tradições locais (como os pombais tradicionais) na conservação moderna. Ao longo da sua carreira, tem colaborado com escolas, universidades e comunidades rurais em ações de sensibilização, transmitindo uma mensagem de otimismo na recuperação ecológica e de promoção de um estilo de vida sustentável. Ele próprio adota práticas ecológicas no dia a dia – por exemplo, utiliza uma bicicleta elétrica para se deslocar em terreno montanhoso, reduzindo a sua pegada ecológica pessoal. A sua abordagem de comunicação combina conhecimento científico com paixão pessoal, inspirando novas gerações para a causa da conservação.


Biografia e Envolvimento Pessoal

António Espinha Monteiro nasceu em 1970 e é natural de Figueira de Castelo Rodrigo, no nordeste de Portugal. Embora tenha iniciado os estudos superiores em Lisboa, manteve sempre fortes laços com a sua terra natal na “raia” (fronteira) beirã, acabando por trocar a vida urbana pela dedicação ao vale do Côa e Douro internacional, onde as suas raízes familiares se encontram. Desenvolveu uma identidade ibérica vincada, trabalhando em prol da biodiversidade de fronteira entre Portugal e Espanha. A inspiração de figuras como o naturalista espanhol Félix Rodríguez de la Fuente moldou a sua visão, incutindo-lhe desde jovem uma admiração pela vida selvagem e a missão de proteger os ecossistemas transfronteiriços.

No plano pessoal, Monteiro é reconhecido pelo seu estilo de vida simples e em harmonia com a natureza. Nos seus tempos livres, dedica-se à agricultura biológica, mantendo olivais e produzindo azeite de forma sustentável, e à criação de raças autóctones – cavalos e burros indígenas – como forma de preservar o património genético local. Foi, de resto, graças à sua paixão pelos asininos que propôs formalmente a criação do registo oficial do burro de Miranda em 1999, salvaguardando esta raça portuguesa. Monteiro é também um entusiasta da observação de aves (birdwatching), atividade que pratica assiduamente, e mantém-se ativo fisicamente, sendo maratonista amador e adepto de corrida em montanha. O seu leque de interesses estende-se à cultura: publicou um livro de poesia em 2022, revelando uma faceta criativa e a ligação emocional que tem com a terra e a paisagem. Desde 2004, juntamente com a sua família, gere uma pequena unidade de turismo rural – a Casa da Cisterna – na aldeia histórica de Castelo Rodrigo, onde acolhe visitantes e divulga as riquezas naturais e culturais da região.

Em Dezembro de 2025, António Espinha Monteiro apresentou publicamente a sua candidatura à presidência da ATN – Associação Transumância e Natureza, organismo responsável pela Reserva da Faia Brava. Esta candidatura, parte das eleições internas de 2026 da ATN, reflete a sua vontade de voltar a envolver-se diretamente na gestão da reserva que ajudou a criar. Monteiro encabeça a lista independente “Amigos da ATN Faia Brava” e afirmou encarar este desafio “com sentido de missão e confiança no futuro”. Defende uma nova geração de liderança para a ATN, assente na transparência, proximidade e capacidade de gerar impacto. Entre as suas propostas estão um plano estratégico para 2026–2029, a criação de uma sede da ATN em Figueira de Castelo Rodrigo, a abertura da Reserva da Faia Brava ao público com trilhos interpretativos e programas de educação ambiental, a valorização da equipa técnica e o reforço do voluntariado jovem. Monteiro propõe ainda que a ATN seja uma voz ativa na concretização do Parque Nacional do Vale do Côa, projeto pelo qual tem grande paixão, posicionando a Faia Brava e o vale do Côa como referência nacional em rewilding, conservação da natureza e desenvolvimento rural sustentável. Com décadas de experiência e dedicação, António Espinha Monteiro inicia esta nova fase determinado a liderar a Reserva da Faia Brava e a inspirar uma visão integradora entre comunidades locais e a natureza, garantindo a preservação do património natural para as gerações futuras.

 

Fontes: Monteiro, A. – Perfil CIBIO-InBIO ; Ciênciavitae ; Podcast De Verde em Quando (Quercus/Criar Bosques) ; LinkedIn (candidatura ATN) ; Registos académicos e publicações científicas.

 

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