Grande Rota do Vale do Côa - Tempo para Potenciar o Ecoturismo na Raia
Estou no sul da Faia Brava, virado para o portão de madeira que sinaliza o troço novo desta rota com quase 200 km. Vai não vai, à espera que o tempo amaine e consiga caminhar e ver in loco o caudal máximo de 25/26. Mais um dia de inverno muito húmido e algo frio. Hoje acalmou depois da sucessão do "comboio" de temporais que varreu a costa. Provavelmente mais um sinal contraditório das alterações climáticas que deixaram de ser abstração.
Voltando atrás: em 2008 a Grande Rota (GR) começou com uma pequena rota entre Cidadelhe e Algodres, um desafio da ATN à medida que se construía a Faia Brava. Um trilho que permitia visitar a reserva e aceder à pitoresca aldeia. O projeto teve algum sucesso. Os Territórios do Côa - Associação de Desenvolvimento Regional pegaram nisso e, por volta de 2013-14, alargaram o conceito: Malcata-Museu do Côa, ou vice-versa - só uma questão de perspetiva.
A GR é hoje a espinha dorsal do ecoturismo na Raia e, possivelmente, do futuro Parque Nacional do Vale do Côa. Ao longo do corredor ecológico do Côa, calcorreando trilhos e veredas, sempre com o rio em proximidade. É, sem dúvida, um dos percursos de montanha mais espetaculares do país. Percorro agora a etapa 9 e penso que, numa Europa 80% urbana, estas infraestruturas tornam-se estratégicas e mesmo vitais para tanta gente que precisa de espaços assim. A Grande Rota, com a Faia Brava e tantos outros atrativos do património natural, pode e deve consolidar-se e ganhar adeptos.
A GR está globalmente bem sinalizada, embora alguns troços precisem de manutenção. O site dos Territórios do Côa está muito bom, explica bem o projeto. Apostaram em algo difícil: unir território, pessoas e infraestruturas. Só funcionará interligando a rede de serviços - alojamento, restauração, operadores. Deixam isso bem claro no site.
A chuva parou. Foram quase duas horas por trilho bem marcado e limpo até chegar ao Miradouro dos Biólogos, provavelmente o mais bonito de todo o Côa (mas também há o da Faia do Azevo, o do Gato, o da Eira Velha...). O rio lá em baixo ruge. Diziam-me em tempos, em Algodres, que o cachão da Faia Brava se ouvia na própria aldeia, no silêncio da noite - outros tempos, outras cheias. Eu não acreditava até chegar ali, fazer silêncio e me esquecer de tirar a fotografia.
Fonte: https://granderotadocoa.pt/
Tenho lutado muito e desde há uns bons anos pelo Ecoturismo e sempre dando como exemplo o vale do rio Côa como território muito distintivo para uma verdadeira e diferenciada oferta naquele segmento de mercado de turismo. Já vejo a serem feitas algumas ”coisas” neste sentido, mas ainda assim, muito aquém nos activos naturais e culturais que podem ser potenciados na cultura ecológica do Ecoturismo.
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