Vacas Pequenas - Encontrar a Vaca Certa para o Projeto Certo!
Invariavelmente, este tema de contribuir com soluções para o "excesso" de combustíveis finos - em quase 40% de incultos do norte do país, algo que pesa em todos os que vivem, trabalham, gerem, circulam e visitam - regressa aos meus pensamentos sobre o futuro das nossas montanhas.
Especialmente no inverno. Regresso à internet, quase por automatismo, à procura do "grazer" certo. Ando por ali e percorro os sites de pecuária do costume obre raças autóctones e imagens de bovinos (Bos taurus) em liberdade e tento reconhecer naquele porte o herbívoro capaz de dialogar com a montanha.
Apesar de liderarem a produção mundial de proteína entre os mamíferos domésticos e de estarem no centro do debate sobre metano e pegada ecológica, continuam a ser, para mim, mais do que estatística. Há neles um magnetismo antigo - talvez o tamanho, mas o habitual da mensagem é sempre o rendimento. Não são apenas carne ou balanços de carbono. São presença, escala, respiração da paisagem.
No meu caso, sinto por eles o que sinto pelos cavalos. Imagino as manadas de bovinos que, no início do Holoceno, percorriam a Europa e a Ásia temperada. No centro dessa história está o Bos primigenius, o auroque, com quase dois metros à cernelha nos machos, estruturador de pradarias e bosques abertos. A domesticação neolítica reduziu-lhe progressivamente o tamanho, favorecendo indivíduos mais dóceis e manejáveis. Séculos mais tarde, com a seleção zootécnica intensiva, muitos efetivos voltariam a aproximar-se de portes mais robustos, evocando parcialmente a escala do ancestral selvagem. A trajetória do bovino não é linear, é adaptativa, moldada por cultura, economia e território.
Em abril de 1999, nas margens de um lago remoto num vasto planalto da Anatólia, encontrei pequenas vacas negras que me ficaram gravadas na memória. Moviam-se com agilidade numa paisagem ampla e silenciosa. Foi o meu primeiro contacto consciente com uma expressão que associei a uma realidade bovina arcaica.
Mais tarde, entre 2013 e 2019 na Faia Brava, o encontro com a Maronesa tornou-se decisivo. Vacas robustas, independentes, profundamente adaptadas à serra. Touros negros, vacas castanhas, crias avermelhadas nos primeiros meses. Chamava-lhes, com afeto, os meus veados da Faia Brava. A sua presença abria clareiras, continha matos, dava escala ao território e devolvia-lhe dinâmica.
Hoje, regresso à Anatólia - apesar de haver muita informação curiosa sobre mini-vacas e sobre as famosas irlandesas Dexter - e relembro aquelas vacas escuras e pequenas. Quando penso em trazer grandes herbívoros às montanhas inóspitas, a escolha é menos emocional e mais estratégica. A Cachena, também conhecida como cabreira, surge como opção coerente. Pequena, ágil, resistente, adequada a solos pobres e declives acentuados, mostra que o porte não define a eficácia ecológica. O essencial é a função. Pastorear, abrir, circular, manter mosaicos vivos. No fundo, trata-se de decidir como queremos que as nossas serras evoluam. Enfim, retomar o slogan: "Criar vacas para a Natureza!"
Declaração de interesses: desde 01/08/2020 sou vegetariano por razões estritamente de saúde. A minha relação com estes animais é ecológica e paisagística.
(foto das maronesas na Faia Brava - circa 2015)
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Adoro estes animais e a forma como moldam a paisagem. É uma cena do outro mundo, como acontece no Gerês, andar nos trilhos e cruzarmo-nos com estes animais em liberdade!
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