Parque Nacional Transfronteiriço Arribas do Douro / Duero Internacional
Dois parques gémeos para uma Europa com futuro.
Dois parques gémeos para uma Europa com Futuro.
A fronteira luso-espanhola nas Arribas do Douro / Arribes del Duero nunca interrompeu os ciclos da natureza, os movimentos das espécies, nem a vida das comunidades raianas. Do ponto de vista ecológico, cultural e humano, este é um território contínuo, moldado por séculos de convivência entre pessoas, paisagem e biodiversidade.
Há quase três décadas que instituições, técnicos, associações e habitantes de ambos os lados da fronteira trabalham em conjunto para cuidar e valorizar cerca de 200 mil hectares de Natureza e Cultura. Essa cooperação não nasceu de discursos políticos, mas de relações humanas diretas, de projetos concretos no terreno e de uma visão europeia assente na coesão territorial e na confiança mútua.
Defender que estes dois parques devem convergir, para bem das três regiões em que se inserem, num único Parque Nacional Transfronteiriço não é retórica administrativa. É reconhecer formalmente aquilo que já existe na prática: um único ecossistema, um único território funcional e duas administrações públicas que têm tudo a ganhar em cooperar de forma estruturada e ambiciosa.
Num interior já profundamente despovoado, fragmentar esforços ou reforçar fronteiras seria um erro histórico. A Europa do futuro constrói-se a partir das margens, não contra elas. Defender dois parques gémeos, articulados através de modelos de cogestão, é passar das palavras aos atos e afirmar uma visão madura de desenvolvimento territorial.
Este texto integra um dos capítulos da minha tese de doutoramento. Mas, acima de tudo, é um apelo simples: unir esforços, respeitar as pessoas de cá e pensar a fronteira como zona de contacto, cooperação e oportunidade.
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