Paixão pela Natureza no Interior de Portugal
O silêncio do planalto granítico que se estende até mergulhar nas arribas e o rio que ruge lá em baixo. Dezenas de grandes aves de rapina que se lançam das fragas e sobem em círculos. Bosques e lameiros repletos de vida, com inúmeros passarinhos a cantar entre ramos e silvados. A possibilidade de caminhar livre por campos e viajar por estradas retilíneas, parar e agarrar um punhado de terra com a mão, sentir o seu aroma, ou ver como uma tormenta de nuvens negras se forma sobre um céu azul em pleno agosto.
Foram esses momentos que me marcaram como jovem naturalista e aprendiz de biólogo, atrás de uma paixão por bichos que vinha de longe quando cheguei a Ribacôa em 1993. Foi da Marofa, a 975 metros de altitude, onde descobri que estava no centro do maior anfiteatro orográfico do oeste ibérico. Milhares de quilómetros quadrados da bacia do Douro rodeados de montanhas, muitas delas longínquas - mas todas elas visíveis: Sanábria, Montesinho, Bornes e Rebordo a norte, o Marão e o Alvão a ocidente e, depois, todo o Sistema Central, com a Estrela a sudoeste, a Malcata, a Gata, Francia, Bejar e os pináculos de Gredos e até Guadarrama em dias de visibilidade excepcional.
A oeste, a enigmática meseta castelhana, qual
estepe de Tchekhov sem fim, indómita. A geografia, a geologia, a meteorologia
foram ferramentas fundamentais para tentar compreender o território. O
privilégio de ser técnico e conservacionista em serviço público foi o caminho
para cruzar o empirismo das emoções do amor à terra com as métricas da
ecologia e, assim, chegar até hoje a lutar pelo que acredito: criar espaços para
a natureza.
Comentários
Enviar um comentário