Leipzig, iDiv e a reta final do doutoramento

Nestes três anos de doutoramento, tive a oportunidade de regressar mais uma vez ao iDiv, em Leipzig - um centro de investigação de referência internacional ligado à Universidade de Halle, à Universidade de Leipzig e a uma rede científica verdadeiramente europeia. Foi uma estadia breve, mas marcante.

Estar ali, próximo do meu orientador do CIBIO/UP e em contacto com uma equipa dedicada à conservação da biodiversidade, fez-me sentir de novo o privilégio de poder aprender, investigar e continuar a crescer, mesmo entrando nesta aventura científica numa fase da vida em que muitos julgariam já tardia. Mas não é tarde. Nunca é um erro querer saber mais, pensar melhor e contribuir de forma séria para o conhecimento.

Leipzig impressionou-me também como cidade: verde, ampla, jovem, organizada, com transportes públicos exemplares e uma urbanidade tranquila que nos faz acreditar que ainda é possível construir sociedades mais funcionais, mais humanas e mais inteligentes. Vindo da ruralidade raiana que tão bem conheço, encontrei ali um contraste forte, mas também uma inesperada ponte. Tocam-se, afinal, mundos que por vezes julgamos distantes: a Europa central urbana e o interior peninsular em transição.

Regressei desta viagem com uma sensação de renovação. O doutoramento, que começou centrado no Vale do Côa, ganha agora forma mais clara na sua estrutura final: uma abordagem macrogeográfica ao Oeste Ibérico, um nível intermédio centrado nas aves e nas mudanças da paisagem no Côa, e uma escala mais íntima e experimental a partir da Faia Brava. É esse o caminho que quero consolidar na reta final: publicar, pensar, sintetizar e construir uma monografia sobre a renaturalização no Oeste Ibérico, as suas implicações socioecológicas e o que ela nos diz sobre o fim de um ciclo histórico na ruralidade.

Voltei também num momento simbólico do ano. Passou o tempo das amendoeiras em flor e começa agora outra primavera: a dos caducifólios, da chegada das aves migradoras, da luz nova sobre a paisagem. Talvez haja nisso uma metáfora simples, mas justa. Investigar é também isto: perceber os sinais de mudança, dar-lhes nome, ligá-los a uma história maior e não desistir de procurar sentido.

Saio desta etapa com gratidão pela equipa e pelo ambiente científico que me acolheram no iDiv, e com a convicção renovada de que o mundo académico, apesar de todas as suas dificuldades, continua a ser um espaço raro de encontro entre conhecimento, exigência, generosidade e futuro. Num tempo de fragmentação e ruído, continua a valer a pena acreditar na ciência, na Europa, nas boas pessoas e na possibilidade de construir pontes entre territórios, escalas e formas de ver o mundo. 

Sugestão de Consulta: Biodiversity Conservation | iDiv




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